Eca! A revista 'Mad' está de volta
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Enviado por Telio Navega - 1/4/2008 - 9:00
Com direito à dobradinha, seção de cartas desagradáveis, Aragonés e muita bobagem, a "Mad" está de volta às bancas por nova editora: a Panini. O Gibizada aproveitou então para bater um papo com os dois novos editores. Um deles é o Ota, um velho conhecido dos leitores, pois ele está no expediente da "Mad" há 34 anos, desde o primeiro número publicado no Brasil, um recorde. Só o Guinness, como ele mesmo diz no editorial deste novo número um, não reconhece. Já o outro editor, Raphael Fernandes, de apenas 24 anos, conta ao Gibizada que conseguiu o emprego depois de aparecer na redação da Mythos (responsável pela edição no Brasil do material em quadrinhos importado pela Panini) vestido com uma camisa do Alfred E. Neuman, personagem símbolo da revista.
Raphael,
como
você
entrou
nessa?
RAPHAEL: Fiz história na USP e estudo jornalismo, mas comecei a trabalhar na Mythos/Panini quando surgiu uma oportunidade no curso de Editoração em Histórias em Quadrinhos na ECA/USP, ministrado pelo Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro. Meu texto de teste foi escolhido dentre vários jornalistas e me destaquei pela nerdísse! Coleciono quadrinhos desde os cinco anos de idade e sou bitolado nisso. Editei quadrinhos infantis da Marvel, álbuns da editora SAF ("O Menino-Vampiro", "Jeremiah" e "Docteur Mystère") e também fiz as duas últimas edições da “Mad” Especial pela Mythos e a série Mini-MAD. Eu sempre li “Mad”, mas nunca fui leitor regular. Consegui o trampo quando apareci na redação com uma camiseta do Neuman, o Helcio reparou e perguntou se eu gostava. Depois, em um fechamento da “Mad Especial”, percebi por acaso que iam publicar uma história que já tinha saído na edição anterior e avisei. No dia seguinte, o Helcio (Diretor da Mythos) me chamou e disse que eu ia editar o material daí pra frente. A Mythos presta serviços pra Panini, logo é a mesma equipe. A diferença é que eu estou trabalhando com o Ota e isso está deixando a revista mais interessante. Apesar de nunca tê-lo conhecido pessoalmente, já que ele mora no Rio.
O que há de novo nesta nova série da “Mad” pela Panini? Reparei que agora a revista é toda colorida e o papel tá bacana...
RAPHAEL: Você acaba de dizer tudo que há de novo, exceto por mim mesmo. Eu sou uma das novidades, já que divido a cruz da “Mad” com o Ota.
OTA: A revista americana também é toda colorida agora, é a evolução natural. No futuro, provavelmente as imagens deverão se mexer como nos jornais do Harry Potter. Sempre vai haver alguém reclamando que achava do jeito antigo melhor.
A revista está indo para todo o Brasil? Qual é a tiragem?
RAPHAEL: A distribuição da revista é nacional. Não posso divulgar a tiragem, mas é melhor o pessoal correr... a primeira edição já pode ser considerada item de colecionador.
O
material
será
sempre
inédito
ou
existe
alguma
chance
de
revermos
um Mort
Drucker
ou um
Don
Martin
(acima)?
E a “Mad
Kids”
(ao
lado)? O
que acha
desta
versão
da
revista
para
crianças?
Alguma
chance
de ela
sair
aqui?
RAPHAEL: O material será inédito na edição mensal da "Mad”. Para os leitores mais velhos, que não estão preparados para a nova série, vamos lançar a "Mad Especial", que será uma edição recheada de clássicos, como Dave Berg, Don Martin, Mort Drucker, Duck Edwing, Sergio Aragonés, Phohías... são todos os idiotas de sempre. A “Mad Kids”, por enquanto, está fora de nossos planos, apesar de considerar essa versão bastante interessante. Vou aproveitar toda essa cobertura da mídia para convencer os chefes da Panini!
OTA: Mort Drucker ainda vive e continua colaborando, então vai continuar tendo coisas dele. Não há impedimento de republicar os antigos Don Martin, mas essas piadas já saíram trocentas vezes. Quanto a "Marvel Kids", eles ainda não compraram os direitos dessa, o que eu acho que foi mancada. Tem que formar público novo.
A “Mad” é voltada para qual idade hoje em dia? Para os saudosos fãs ou para os adolescentes? Ou para os jovens adultos?
RAPHAEL: A “Mad” é, e sempre será, uma revista voltada para adultos e crianças sem noção. Muitas vezes forçamos a barra com algumas citações maldosas ou críticas pesadas, porém é um ótimo caminho para a molecada ver o mundo com um pouco mais de crítica. Em que outra revista de humor, um garoto se diverte com uma piada e, ao mesmo tempo, pensa em política internacional? Tentamos fazer uma revista que agrade aos novos e aos velhos leitores.
OTA: O público alvo é sempre o mesmo, pré e adolescentes. Eles vão crescendo e parando de comprar. É o ciclo natural da vida.
Veremos autores brasileiros na revista além do Ota?
RAPHAEL: Com certeza. Entre os colaboradores da revista estão grandes revelações do cartunismo brasileiro, como Chiquinha, Tako X e Luciano Felix. Vamos tentar trazer outros autores importantes nas próximas edições.
OTA: Por mim, SEMPRE teria desenhos da Chiquinha e do Ed. O difícil é arrancar as coisas deles. Mas vai ter Chiquinha no número 2. O problema é que o número de páginas nacionais é menor, então está meio apertado.
Por que dois editores? Duas cabeças pensam melhor que uma?
RAPHAEL: Inicialmente, eu assumiria a revista sozinho. No entanto, eu achei um absurdo não ter o trabalho do grande Ota na revista e o convidei para participar. Ele fez um acordo com a chefia: faria a parte nacional da revista, enquanto eu cuidaria do restante. No início, ele ficou meio desconfiado, porém, aos poucos, percebeu que eu gosto muito da revista e o respeitava bastante por toda sua história à frente do título. Hoje, nós trabalhamos em conjunto, trocamos idéias e planejamos a revista para que ela fique ainda mais demente e divertida.
E, para fechar, uma pergunta cretina. Ota, depois de 34 anos à frente da revista, pretende editar a "Mad" até morrer?
OTA (muito ofendido): Não sei o tempo de vida que resta para a "Mad", mas eu não pretendo morrer tão cedo.
ps.: Ota prepara para o próximo mês, pela Record, o álbum "Asterix e seus amigos", em que ilustradores como Milo Manara homenageam o personagem gaulês criado por Goscinny e Uderzo.
Maluquinhos & cia.
Marco Antonio Barbosa
Jornal do Brasil - 13/04/2008
Quarta volta da emblemática revista de humor ‘MAD’ preenche lacuna do gênero nas bancas, apela para a nostalgia do público que conheceu a publicação na adolescência e esgota tiragem do primeiro número
As
bancas e
livrarias
estão
cada vez
menos
inteligentes.
Isso não
é uma
ofensa.
Ao
menos,
não para
os fiéis
fãs da
revista
MAD, que
acaba de
voltar a
circular
e se
prepara
para
arremessar
o número
2 de sua
– estão
contando?
– quarta
encarnação
nacional
desde
que o
título
começou
a ser
editado
no
Brasil,
em 1974.
De volta
por obra
da
Editora
Panini,
a graça
nem um
pouco
refinada
da MAD é
uma
aposta
de
renovação
no
combalido
mercado
editorial
de
quadrinhos
de
humor. E
também
um apelo
ao
adolescente
bobão
que
existe
(ou já
existiu)
dentro
dos
leitores
de todas
as
idades.
– O público antigo sentia falta da revista, mesmo porque não surgiu outra publicação que ocupasse seu lugar – afirma Raphael Fernandes, editor da nova MAD. – O quadrinho de humor no Brasil sobrevive em fanzines, mas aí é coisa apenas para fanáticos, obcecados.
No número 2 da nova série, que chega às bancas nos próximos dias, a avacalhação principal é sobre o seriado Heroes, sucesso na TV por assinatura. O garoto-propaganda da publicação, o inefável Alfred E. Neuman – sim, o cabeçudo com orelhas de abano e falhas na arcada dentária, criado para a edição de novembro de 1954 da MAD americana – aparece caracterizado como o japonês Hiro, protagonista do programa. O estilo de humor infame, com trocadilhos e bobeiras afins, segue o mesmo.
– Vamos aproveitar a nova onda de filmes de super-herói, como Batman e Homem de Ferro, para publicar várias sátiras no número 2 – anuncia o editor.
Ninguém esquece a ‘MAD’
A esperança é que a publicação atraia não apenas seu leitor-alvo tradicional – a molecada – mas também a moçada já crescida e que sente falta da revista.
– O público potencial sempre foi a turma adolescente. O problema é que as pessoas crescem e param de ler, daí a inconstância nas vendas – aponta, sem rodeios, o cartunista Otacílio D’Assunção, o Ota, co-editor da revista.
Fernandes conta com a nostalgia. Afinal, só se é jovem uma vez, mas sempre pode-se ser imaturo.
– O leitor envelhece, mas sempre tem gente que nunca esquece da revista. Tanto que o primeiro número esgotou. Estamos cogitando uma nova prensagem – afirma, sem divulgar os números da tiragem.
A MAD versão 2008 vem literalmente repaginada. A qualidade do papel melhorou em relação à última versão vista nas bancas (publicada pela Panini até dezembro de 2006) e agora a revista é totalmente colorida, como a original ianque é há anos. Para os mais tradicionalistas, a editora promete lançar trimestralmente um MAD Especial com republicações de material antigo de todas as fases da revista – e palhaçadas clássicas de autores como Al Jaffee, Don Martin e Sergio Aragonès – tudo em preto e branco como antes.
Por falar em tradição, ninguém melhor que Ota para se pronunciar. Autor da tirinha Dom Ináfio, publicada no B, criou a versão brasileira da revista em 1974 e editou todos os seus 308 números (fora edições especiais e livros de bolso).
– Já estou na minha quarta editora – contabiliza o cartunista, responsável por editar o material de artistas brasileiros (que preenche cerca de um terço das páginas da nova versão).
Escoladíssimo no mercado editorial, avalia com realismo o relançamento da MAD:
– Acho que o preço (R$ 5,90) ainda é meio alto para os garotos. Mas o tempo em que a revista ficou fora das bancas foi benéfico. As pessoas sentiram nossa falta. Só na semana de lançamento recebi mais de mil mensagens.
A facção brasileira dos artistas da publicação corrobora a impressão. O cartunista Pupuca, integrante do time nacional desde 1990, diz:
– Estamos sozinhos no mercado de humor, que praticamente não existe desde os anos 80. Os fãs mais malucos sempre continuam pedindo para a revista não acabar.
Espalhados pelo Brasil, os "malucos" têm uma relação de amor e ódio com a MAD. Mas não desistem.
– Comprei a minha hoje, não agüentei esperar chegar nos sebos – esculacha Alex Machado Farias, de Londrina (PR), um dos 6.856 membros da comunidade oficial da revista no Orkut.
Al Jaffee, 87, ainda é uma marca registrada.
Neil Genzlinger
The New York Times
Al
Jaffee
pode
reclamar
para si
o título
de
adolescente
mais
velho do
mundo –
ele
ainda
está
desenhando,
desde
1964,
cada
edição
da
Dobradinha
MAD
(isso
inclui a
nova
versão
brasileira
da
revista).
A
tradicional
penúltima
página
da
revista,
na qual
um
desenho
deve ser
dobrado
em três
partes,
formando
uma
outra
figura
completamente
diferente,
é um
clássico.
Ele é o
mais
longevo
e
cultuado
colaborador
da MAD.
Este ano, Jaffee está na lista dos três indicados ao Reuben Award, como cartunista do ano, a ser entregue em maio pela National Cartoonist Society (Sociedade Nacional de Cartunistas). As editoras Fantagraphics e Abrams Image estão prestes a recuperar alguns dos primeiros trabalhos do desenhistas, em edições de luxo que reeditam material feito entre 1957 e 1963. Nada mal para um cara que começou na MAD não como desenhista e sim como redator – e cuja maior criação, a Dobradinha MAD, foi feita para sair apenas uma vez.
– Há alguns meses contei todas as Dobradinhas que já fiz e deu algo como 396 – afirma Jaffee, que, ainda gozando de credibilidade entre os adolescentes, tem 87 anos.
Jaffee também é bem conhecido pela seção Respostas cretinas para perguntas imbecis, outra famosa atração que é basicamente um curso sobre como ofender as pessoas. Nada de insultos aqui, mas ironias rápidas.
– Trabalho para uma revista que é essencialmente dirigida a pessoas jovens, e, por tê-los me incentivando a continuar, me sinto com muita sorte – diz Jaffee. – Sou como um velho cavalo de corrida. Enquanto os outros cavalos estiverem correndo, quero correr também



