Mad voltará a ser publicada no Brasil em 2008

Por Marcelo Naranjo (13/11/07)

Universo HQ - http://www.universohq.com.br

Boa notícia para os fãs do humor da impagável revista Mad.
De acordo com Otacílio d'Assunção Barros, o Ota, que editou a Mad por vários anos, a publicação deve voltar para as bancas do Brasil em fevereiro de 2008.
O Universo HQ recebeu a informação em primeira mão, de que as negociações estão em andamento, sendo que Ota será o responsável pelo conteúdo produzido no Brasil para a revista.
A Mad foi publicada no Brasil pela Vecchi, Record e Mythos. A nova série será produzida pela Mythos/Panini.


Eca! “Mad” brasileira ressuscita pela terceira vez

Comércio do Jahu

13/04/2008

Ricardo Recchia
ricardo@comerciodojahu.com.br

 

 

 

 

 

Nem deu tempo para comemorar. Celebrada como uma das publicações mais irreverentes do mundo, a revista Mad volta a circular no Brasil depois de um intervalo de um ano e meio. Depois da Vecchi, Record e Mythos, é a vez de a Editora Panini dar sobrevida à revista de humor corrosivo que estreou no mercado nacional há 34 anos.
A numeração foi reiniciada e a revista agora é produzida inteiramente em cores, uma novidade em relação às versões anteriores. No mais, a Mad segue a mesma linha que a consagrou: sátira de filme (Harry Podre & A Bosta no Tênis), histórias curtas (entre elas do lendário Sérgio Aragonés) e as brigas de Spy vs. Spy, uma das mais famosas da revista.
Das 44 páginas do número de estréia, que saiu no mês passado, 11 possuem conteúdo nacional, que é produzido pelo cartunista carioca Otacílio d’Assunção, o Ota, que acompanhou todas as outras versões da revista no Brasil.
O restante da publicação ficará a cargo de Raphael Fernandes, 24 anos, que conseguiu o emprego depois de aparecer na redação da Mythos (responsável pela edição no Brasil do material importado pela Panini) vestido com uma camiseta do Alfred E. Neuman, o menino desdentado que é o símbolo da revista. Dizendo ter fôlego de sobra para ressuscitar a Mad, Fernandes espera agradar ao exigente público leitor da revista que, segundo ele, “vai de padres a dançarinas de cabaré aposentadas”.
Uma mostra de que mau gosto passa de geração para geração, o estudante Lucas Bugnaro, 23 anos, tornou-se fã da revista por meio de seu pai, que colecio-nava a Mad desde sua primeira edição, ainda na Editora Vecchi. “Tenho guardada a maioria das publicações”, diz.
Um fã da revista de 29 anos, que pediu para não ter o nome divulgado (eca!), começou a ler a Mad nos anos 90, quando a publicação satirizava Michael Jackson e Madonna. “Quem não se lembra dos comentários que faziam do Welberson, uma lenda pelas idiotices”, conta.
O proprietário da Banca Garagem de Jaú, Alessander Rossani, 33 anos, explica que a revista ainda é procurada por antigos fãs – e também pela nova geração, que conheceu a Mad a partir da terceira fase da revista. Cada exemplar antigo custa R$ 3 na banca.

Especial

A promessa da Editora Panini é de que a Mad seja mensal. Em outras editoras, as revistas chegavam às bancas com um ou dois meses de atraso. A Mad Especial, contendo material antigo republicado em preto-e-branco, sairá trimestralmente. Tudo isso com a bênção do criador da revista, Harvey Kurtzman, do abobalhado Alfred E. Neuman e “dos mesmos idiotas de sempre”.

“Fãs se emocionam”

 

 

 

O advogado Thiago Lopes é tão fã que criou um site para a revista

 

O advogado Thiago Ramos Lopes, 28 anos, criou o site não oficial da Mad brasileira – o oficial é: web.hotsitepanini.com.br/mad – apenas como um hobby. Mas aos poucos foi tornando-se “um vício”, como ele diz. No endereço www.micromania.com.br/mad o fã encontra a história, curiosidades e a galeria de capas completa de todas as séries da revista. Ele afirma que também criou o site pensando em acrescentar mais itens a sua coleção.

Comércio – Quando surgiu a idéia de criar o site e como foi o processo de reunir todas as informações sobre a revista?
Thiago Ramos Lopes – Há alguns anos, quando a revista era editada pela Record, a Mad chegou a ter um site oficial, o qual não durou muito tempo e logo foi tirado do ar. Foi aí que tive a idéia de manter um site voltado para os fãs da revista. Coletei algumas coisas do site antigo e criei um novo, adicionando informações e digitalizando todas as capas da minha própria coleção.

Comércio – Qual a melhor fase da Mad brasileira?
Lopes – Foi a segunda série, na Record, dos anos 80 até o início dos anos 90. Nessa época, a Mad foi uma ótima ferramenta de crítica social e política, feita com humor ácido e muita criatividade. Políticos e celebridades eram constantemente satirizados em suas capas. Exemplos de algumas vítimas foram Sarney, Collor, Lula, Xuxa, Michael Jackson, e por aí vai.

Comércio – Você recebe muitas mensagens de fãs da revista? O que eles pedem?
Lopes – Recebo muitos e-mails de fãs da revista, inclusive de alguns do exterior. Agora que a Mad voltou a ser assunto, a quantidade de mensagens aumentou consideravelmente. Muitos escrevem achando que sou eu que faço a Mad! (risos). Para estes, informo o e-mail do Ota (cartunista) e explico que sou apenas um fã. Outros elogiam o site e contam que se emocionam ao relembrar das capas que fizeram parte de sua infância e adolescência. É uma troca de experiências fantástica.

Comércio – O que esperar da nova fase da Mad? Terá vida longa?
Lopes – A Panini é uma ótima editora, que se destaca pela qualidade de suas revistas e histórias em quadrinhos. Acredito que agora a Mad terá uma maior visibilidade pelo competente trabalho de divulgação da editora. Espero que nesta nova série a Mad resgate um pouco mais o humor ácido de cunho político e social e que não fique apenas nas sátiras de super-heróis, desenhos animados e seriados de TV. Apesar de hoje em dia a molecada ter muitas outras opções de entretenimento, aposto que a Mad voltará a fazer sucesso no Brasil. Se não conquistar novos leitores, não será problema, a Mad continuará firme, pois, afinal, como diria Alfred E. Neuman: “Quê, eu me preocupar?” – e este é o espírito. (RR)

Publicação ganha nova cara

O paulistano Raphael Fernandes coleciona gibis desde os cinco anos de idade. Graduado em história na Universidade de São Paulo (USP) e estudante de jornalismo, começou a trabalhar como editor-assistente na Editora Mythos/Panini quando surgiu a oportunidade no curso de editoração em HQs na ECA/USP. No teste, seu texto foi escolhido dentre vários jornalistas. “Pela nerdisse”, lembra.
Agora, como editor da revista, Fernandes afirma que a nova série da Mad terá um papel melhor e será completamente colorida. Ele fará a parte internacional da revista, enquanto outros profissionais cuidam do material nacional.
Atendendo ao pedido do Comércio, Fernandes adianta o cardápio da edição nº 2, que deve chegar às bancas de Jaú esta semana. “Vamos sacanear a série Heroes e as viagens no tempo, a Dança do Créu e sua mulher melancia, a Turma da Mônica, House e teremos uma edição totalmente feita por macacos”, revela.
Não deve faltar “material” para os humoristas. A revista tem em seu DNA o acompanhamento da cultura pop há mais de 50 anos. Todos os filmes, fenômenos culturais e tendên-cias de comportamento foram satirizados.
“Podemos considerar a Mad uma revista jornalística, pois seus assuntos são atuais e abordam os principais problemas que a sociedade enfrenta. Trabalhamos para que a revista fique engraçada, atual e bastante crítica”, conta Fernandes.

Nacionais

Uma façanha considerável da Mad é conseguir reunir em uma mesma publicação nomes consagrados do desenho humorístico brasileiro e dar a eles (quase) o mesmo espaço que os gringos. Para esta nova série, foram chamados Chiquinha, Luciano Félix, Tako X, Allan Sieber e Pupuca, entre outros. “Sempre haverá espaço para iniciantes com talento para humor e um traço divertido”, garante o jovem editor. (RR)

 


Revista 'Mad' brasileira volta dos mortos

De editora nova, publicação estava fora das bancas desde o final de 2006.
Veterano, cartunista Ota diz ao G1 que quer apostar mais em brasileiros.

http://www.globo.com

Para muitos dos leitores mais antigos, ela já estava morta e enterrada. Mas depois de pouco mais de um ano fora das bancas, a versão brasileira da revista “Mad” ressuscita – pela quarta vez! – nesta semana. Com 34 anos de história e três editoras no currículo (Vechi, 74-83; Record, 84- 00; e Mythos, 00-06), a publicação mensal passa às mãos da Panini, responsável, entre outros, pelos quadrinhos da DC Comics no Brasil.

Toda em cores, mas com apenas 40 das 48 páginas anteriores, a primeira edição da nova série leva o título “De volta do mundo dos mortos” e vem recheada de cartuns de zumbis, piadas com Fidel Castro, além das tradicionais sátiras de filmes (“Harry Podre” e “Meu nome não é Enjôony”) e, claro, “mais uma ridícula dobradinha da Mad” na contracapa.

À frente da revista nestas últimas três décadas, o cartunista carioca Otacílio d’Assunção, o Ota, afirma em entrevista ao
G1 que continuará tentando manter a publicação de pé. Sua proposta é seguir equilibrando a presença de artistas nacionais, como Luciano Felix, Tako X e Chiquinha, com o conteúdo traduzido da “Mad” americana, incluindo medalhões como Sergio Aragonés, Don Martin e Al Jaffee. Leia a seguir, trechos da entrevista de Ota.

G1 – Na sua opinião, depois de tantos anos, qual foi a melhor fase da “Mad” no Brasil?
Ota – Tirando problemas de qualidade de impressão, a fase da Record foi a melhor. A gente já tinha mais cancha da coisa e, quando mudamos (da Vecchi para a Record), ela já começou boa. Fomos aprendendo a fazer aos poucos. Mas com a queda de vendas, as editoras vão parando de investir. Não dá para fazer sem verba, você acaba assumindo tudo. Para ficar legal e atual, tem que ter conteúdo nacional. A americana está cada vez mais inaproveitável porque tem muita coisa que o comprador daqui não quer saber. Ele não quer saber do [senador e pré-candidato à presidência dos EUA, Barack] Obama ou da [senadora e também pré-candidata] Hillary [Clinton]. E na época da Vecchi, os filmes não eram lançados simultaneamente no mundo inteiro. Então dava tempo de casar a sátira certinho com o lançamento da revista aqui. Agora, quando sai, a coisa já passou. Sem falar que os hábitos mudaram. Antigamente, só tinha gibi, TV e cinema. Hoje, os moleques têm uma variedade enorme de jogos, internet, têm tudo. E, se têm pouco dinheiro, eles podem preferir comprar um Big Mac do que a “Mad”.

G1 – E qual será o seu papel na nova fase da revista?
Ota -
Eu cuido da parte nacional. Cada editora que entra oferece menos que a outra. Então não tem como eu montar uma redação para fazer a revista. Agora dou assessoria, faço a seção de cartas e a parte de traduzir e adaptar a Panini faz. Às vezes, também pego desenhos deles e crio um texto completamente novo. Está dando um pouquinho mais de trabalho do que eu pensava.

G1 – E a revista tem um novo editor, o Raphael Fernandes...
Ota -
Raphael tem 20 e poucos anos, no começo eu fiquei desconfiado. Mas ele gosta da revista, vai aprendendo os macetes. Ele sou eu amanhã. No dia em que eu me aposentar, se tiver uma conjuntura que permita que [a “Mad”] sobreviva, ele pode continuar porque tem gás.

G1 – Mesmo com tantas crises econômicas e queda no número de leitores, a “Mad” sempre volta. Qual é a receita da sobrevivência da revista?
Ota –
Os gibis mais importantes continuam saindo. O “Tex” [quadrinho italiano criado no final dos anos 1930] sai até hoje. É pela tradição que vai se mantendo. Com a “Mad”, praticamente todo mundo envolvido, redação, equipe, donos das editoras, fazem porque gostam da revista. Mesmo não ganhando dinheiro, eles mantêm enquanto dá. E [a revista] tem um espírito que vai acompanhando a cultura pop há 50 anos. Todos os filmes, fenômenos culturais e tendências de comportamento foram sendo acompanhados. É uma revista jornalística, na verdade.

G1 – O primeiro número da nova “Mad” tem como “convidado especial” o ex-ditador cubano Fidel Castro, que aparece em diferentes páginas...
Ota –
Isso é uma coisa que eu coloco para dar unidade à revista. São cacos que coloco em todas. Na próxima vão ser esses caras que entram no ônibus vendendo todo tipo de coisa e falando “eu poderia estar roubando, mas resolvi abrir uma ONG para malucos”... É uma coisa que o [fundador da “Mad”, Harvey] Kurtzman fazia bem: piada em cima de piada, sempre interligadas. A sátira da segunda edição vai ser em cima do [seriado] “Heroes”, de viagem no tempo.

G1 – E que história é essa de que uma das próximas edições será toda editada por... macacos?
Ota –
[Risos] Essa é a melhor de todos os últimos anos. Toda a produção da revista foi terceirizada por macacos, terá o Sergio “Mico” Aragonés, arte macacal, uma versão do quadro “O Grito” com macaco. Deve sair nos Estados Unidos na semana que vem. Vi um preview e foi o primeiro número que dei risada em muitos anos. E na parte nacional também vai ter macacada. Macaco sempre vende revistas.

G1 – Como a versão nacional da revista tem sido vista pelos americanos nestas três décadas?
Ota –
A “Mad” sempre vendeu bem nos países de línguas anglogermânicas. Em países latinos, só no Brasil que deu certo. Pouquíssimas vezes eles falaram alguma coisa, só uma vez que colocamos o Alfred E. Neuman [mascote oficial da revista] “cheirando” maconha. Era uma capa sobre a banda Planet Hemp. Tentei explicar que ele não estava fumando, e que a piada estava aí, mas eles não entenderam, tivemos que enviar a tradução completa para aliviar.


Publicado no Omelete- www.omelete.com.br

NOVA MAD TODA EM CORES!

A VOLTA DA REVISTA MAD PROMETE RETOMAR O SUCESSO DA DÉCADA DE 80

Editora Panini lança o número 1 da lendária publicação e aposta no sucesso entre novos e antigos leitores

Na próxima semana, chega às bancas de todo o País a revista MAD, editada pela Panini, agora totalmente em cores. A estratégia da editora - que hoje detém a licença da marca - é levar o humor inconfundível da publicação para leitores de todas as idades. Os assíduos fãs, que acompanharam a publicação desde que foi lançada no Brasil, nos anos 1970 e a tornaram um fenômeno editorial - com vendas acima de 150 mil exemplares por mês -, poderão novamente se divertir com a irreverência da revista de humor mais famosa do mundo.

Criada em 1952, nos EUA, pela EC Comics a revista MAD tem como símbolo Alfred E. Neuman, o jovem com cara de abestalhado que está presente em todas as capas. No Brasil, a MAD foi publicada por três editoras: Vecchi (1974-83), Record (1984-2000) e Mythos (2000-2006). Desde 2006, quando o contrato com a Mythos Editora prescreveu, a revista não circula no País. Um dos editores da MAD no Brasil continua sendo Otacílio d’Assunção, o Ota, que editou mais de 300 números da publicação e acabou se tornando uma de suas atrações com o "Relatório Ota".

Em homenagem ao relançamento, a MAD número 1 mostra todos os "podres" dos zumbis, detona o bruxinho Harry Potter, traz Spy vs.Spy, além das piadas infames de Aragonés e as tradicionais seções recheadas com o humor ácido que marcam as páginas da revista há mais de cinco décadas.

SERVIÇO:

Título: MAD nº1 - MARÇO/2008

Formato: magazine (20,5 x 27,5) - 44 páginas.

Distribuição nacional.

Preço: R$ 5,90


Mad volta às bancas e sobrevive, mais uma vez, no mercado nacional.

Nova versão da revista, publicada no país desde 1974, chega esta semana às bancas

A revista de humor "Mad" pode ser norte-americana. Mas a trajetória dela no país parece o bordão usado pelo governo federal brasileiro: não desiste nunca.

Nesta semana, ela volta às bancas uma vez mais e ganha outra sobrevida no mercado nacional (Panini, 44 págs., R$ 5,90).

A nova casa trouxe também nova roupagem editorial.

A numeração foi reiniciada e a revista foi produzida inteiramente em cores, uma novidade em relação às versões anteriores.

A maior parte do conteúdo é estrangeiro.

E segue a mesma linha do que sempre viu na "Mad": uma sátira de filme  ("Harry Podre & A Bosta no Tênis"), muitas histórias curtas (entre elas de Sergio Aragonés) e as brigas de "Spy vs. Spy" (uma das mais famosas da revista).

Das 44 páginas deste número de estréia, 11 possuem conteúdo nacional.

O material é produzido por Otacílio d´Assunção, o Ota, que acompanhou todas as outras versões da revista no Brasil.

É ele que edita a parte nacional (a estrangeira fica a cargo de Raphael Fernandes).

É de Ota, por exemplo, o texto de "Meu Nome Não É Enjôony", adaptação de "Meu Nome Não é Johnny", longa-metragem brasileiro estrrelado por Selton Mello, ainda em cartaz.

Ota -que também faz a tira "Dom Ináfio" para o "Jornal do Brasil"- diz na introdução da revista que já entrou no Guinness como o editor há mais tempo ligado à "MAD".

"Fora até agora quatro editoras, quatro séries, cada uma pior que a outra, e vamos continuar mantendo o mesmo ritmo", diz no texto.

As quatro editoras a que ele se refere são Vecchi (de 1974 a 1983), Record (de 1984 a 2000), Mythos (de 2000 a 2006) e, agora, Panini.

Nos Estados Unidos, a publicação surgiu em 1952, pela EC Comics. Hoje, pertence à DC Comics, mesmo editora de Super-Homem e Batman.

A marca da revista é Alfred E. Neuman, figura de rosto abobalhado, mostrada em versão de terror na capa deste primeiro número (vista acima).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h58

 


Eca! A revista 'Mad' está de volta

http://oglobo.globo.com/online/blogs/gibizada/

Enviado por Telio Navega - 1/4/2008 - 9:00

Com direito à dobradinha, seção de cartas desagradáveis, Aragonés e muita bobagem, a "Mad" está de volta às bancas por nova editora: a Panini. O Gibizada aproveitou então para bater um papo com os dois novos editores. Um deles é o Ota, um velho conhecido dos leitores, pois ele está no expediente da "Mad" há 34 anos, desde o primeiro número publicado no Brasil, um recorde. Só o Guinness, como ele mesmo diz no editorial deste novo número um, não reconhece. Já o outro editor, Raphael Fernandes, de apenas 24 anos, conta ao Gibizada que conseguiu o emprego depois de aparecer na redação da Mythos (responsável pela edição no Brasil do material em quadrinhos importado pela Panini) vestido com uma camisa do Alfred E. Neuman, personagem símbolo da revista.

Raphael, como você entrou nessa? 

RAPHAEL: Fiz história na USP e estudo jornalismo, mas comecei a trabalhar na Mythos/Panini quando surgiu uma oportunidade no curso de Editoração em Histórias em Quadrinhos na ECA/USP, ministrado pelo Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro. Meu texto de teste foi escolhido dentre vários jornalistas e me destaquei pela nerdísse! Coleciono quadrinhos desde os cinco anos de idade e sou bitolado nisso. Editei quadrinhos infantis da Marvel, álbuns da editora SAF ("O Menino-Vampiro", "Jeremiah" e "Docteur Mystère") e também fiz as duas últimas edições da “Mad” Especial pela Mythos e a série Mini-MAD. Eu sempre li “Mad”, mas nunca fui leitor regular. Consegui o trampo quando apareci na redação com uma camiseta do Neuman, o Helcio reparou e perguntou se eu gostava. Depois, em um fechamento da “Mad Especial”, percebi por acaso que iam publicar uma história que já tinha saído na edição anterior e avisei. No dia seguinte, o Helcio (Diretor da Mythos) me chamou e disse que eu ia editar o material daí pra frente. A Mythos presta serviços pra Panini, logo é a mesma equipe. A diferença é que eu estou trabalhando com o Ota e isso está deixando a revista mais interessante. Apesar de nunca tê-lo conhecido pessoalmente, já que ele mora no Rio.

O que há de novo nesta nova série da “Mad” pela Panini? Reparei que agora a revista é toda colorida e o papel tá bacana... 

RAPHAEL: Você acaba de dizer tudo que há de novo, exceto por mim mesmo. Eu sou uma das novidades, já que divido a cruz da “Mad” com o Ota.

OTA: A revista americana também é toda colorida agora, é a evolução natural. No futuro, provavelmente as imagens deverão se mexer como nos jornais do Harry Potter. Sempre vai haver alguém reclamando que achava do jeito antigo melhor.

A revista está indo para todo o Brasil? Qual é a tiragem?

RAPHAEL: A distribuição da revista é nacional. Não posso divulgar a tiragem, mas é melhor o pessoal correr... a primeira edição já pode ser considerada item de colecionador. 

O material será sempre inédito ou existe alguma chance de revermos um Mort Drucker ou um Don Martin (acima)? E a “Mad Kids” (ao lado)? O que acha desta versão da revista para crianças? Alguma chance de ela sair aqui?

RAPHAEL: O material será inédito na edição mensal da "Mad”. Para os leitores mais velhos, que não estão preparados para a nova série, vamos lançar a "Mad Especial", que será uma edição recheada de clássicos, como Dave Berg, Don Martin, Mort Drucker, Duck Edwing, Sergio Aragonés, Phohías... são todos os idiotas de sempre. A “Mad Kids”, por enquanto, está fora de nossos planos, apesar de considerar essa versão bastante interessante. Vou aproveitar toda essa cobertura da mídia para convencer os chefes da Panini!

OTA: Mort Drucker ainda vive e continua colaborando, então vai continuar tendo coisas dele. Não há impedimento de republicar os antigos Don Martin, mas essas piadas já saíram trocentas vezes. Quanto a "Marvel Kids", eles ainda não compraram os direitos dessa, o que eu acho que foi mancada. Tem que formar público novo.

A “Mad” é voltada para qual idade hoje em dia? Para os saudosos fãs ou para os adolescentes? Ou para os jovens adultos?

RAPHAEL: A “Mad” é, e sempre será, uma revista voltada para adultos e crianças sem noção. Muitas vezes forçamos a barra com algumas citações maldosas ou críticas pesadas, porém é um ótimo caminho para a molecada ver o mundo com um pouco mais de crítica. Em que outra revista de humor, um garoto se diverte com uma piada e, ao mesmo tempo, pensa em política internacional? Tentamos fazer uma revista que agrade aos novos e aos velhos leitores.

OTA: O público alvo é sempre o mesmo, pré e adolescentes. Eles vão crescendo e parando de comprar. É o ciclo natural da vida.

Veremos autores brasileiros na revista além do Ota?

RAPHAEL: Com certeza. Entre os colaboradores da revista estão grandes revelações do cartunismo brasileiro, como Chiquinha, Tako X e Luciano Felix. Vamos tentar trazer outros autores importantes nas próximas edições.

OTA: Por mim, SEMPRE teria desenhos da Chiquinha e do Ed. O difícil é arrancar as coisas deles. Mas vai ter Chiquinha no número 2. O problema é que o número de páginas nacionais é menor, então está meio apertado.

Por que dois editores? Duas cabeças pensam melhor que uma?

RAPHAEL: Inicialmente, eu assumiria a revista sozinho. No entanto, eu achei um absurdo não ter o trabalho do grande Ota na revista e o convidei para participar. Ele fez um acordo com a chefia: faria a parte nacional da revista, enquanto eu cuidaria do restante. No início, ele ficou meio desconfiado, porém, aos poucos, percebeu que eu gosto muito da revista e o respeitava bastante por toda sua história à frente do título. Hoje, nós trabalhamos em conjunto, trocamos idéias e planejamos a revista para que ela fique ainda mais demente e divertida.

E, para fechar, uma pergunta cretina. Ota, depois de 34 anos à frente da revista, pretende editar a "Mad" até morrer?

OTA (muito ofendido): Não sei o tempo de vida que resta para a "Mad", mas eu não pretendo morrer tão cedo.

ps.: Ota prepara para o próximo mês, pela Record, o álbum "Asterix e seus amigos", em que ilustradores como Milo Manara homenageam o personagem gaulês criado por Goscinny e Uderzo.

 


Maluquinhos & cia.

Marco Antonio Barbosa

Jornal do Brasil - 13/04/2008

Quarta volta da emblemática revista de humor ‘MAD’ preenche lacuna do gênero nas bancas, apela para a nostalgia do público que conheceu a publicação na adolescência e esgota tiragem do primeiro número

As bancas e livrarias estão cada vez menos inteligentes. Isso não é uma ofensa. Ao menos, não para os fiéis fãs da revista MAD, que acaba de voltar a circular e se prepara para arremessar o número 2 de sua – estão contando? – quarta encarnação nacional desde que o título começou a ser editado no Brasil, em 1974. De volta por obra da Editora Panini, a graça nem um pouco refinada da MAD é uma aposta de renovação no combalido mercado editorial de quadrinhos de humor. E também um apelo ao adolescente bobão que existe (ou já existiu) dentro dos leitores de todas as idades.

– O público antigo sentia falta da revista, mesmo porque não surgiu outra publicação que ocupasse seu lugar – afirma Raphael Fernandes, editor da nova MAD. – O quadrinho de humor no Brasil sobrevive em fanzines, mas aí é coisa apenas para fanáticos, obcecados.

No número 2 da nova série, que chega às bancas nos próximos dias, a avacalhação principal é sobre o seriado Heroes, sucesso na TV por assinatura. O garoto-propaganda da publicação, o inefável Alfred E. Neuman – sim, o cabeçudo com orelhas de abano e falhas na arcada dentária, criado para a edição de novembro de 1954 da MAD americana – aparece caracterizado como o japonês Hiro, protagonista do programa. O estilo de humor infame, com trocadilhos e bobeiras afins, segue o mesmo.

– Vamos aproveitar a nova onda de filmes de super-herói, como Batman e Homem de Ferro, para publicar várias sátiras no número 2 – anuncia o editor.

Ninguém esquece a ‘MAD’

A esperança é que a publicação atraia não apenas seu leitor-alvo tradicional – a molecada – mas também a moçada já crescida e que sente falta da revista.

– O público potencial sempre foi a turma adolescente. O problema é que as pessoas crescem e param de ler, daí a inconstância nas vendas – aponta, sem rodeios, o cartunista Otacílio D’Assunção, o Ota, co-editor da revista.

Fernandes conta com a nostalgia. Afinal, só se é jovem uma vez, mas sempre pode-se ser imaturo.

– O leitor envelhece, mas sempre tem gente que nunca esquece da revista. Tanto que o primeiro número esgotou. Estamos cogitando uma nova prensagem – afirma, sem divulgar os números da tiragem.

A MAD versão 2008 vem literalmente repaginada. A qualidade do papel melhorou em relação à última versão vista nas bancas (publicada pela Panini até dezembro de 2006) e agora a revista é totalmente colorida, como a original ianque é há anos. Para os mais tradicionalistas, a editora promete lançar trimestralmente um MAD Especial com republicações de material antigo de todas as fases da revista – e palhaçadas clássicas de autores como Al Jaffee, Don Martin e Sergio Aragonès – tudo em preto e branco como antes.

Por falar em tradição, ninguém melhor que Ota para se pronunciar. Autor da tirinha Dom Ináfio, publicada no B, criou a versão brasileira da revista em 1974 e editou todos os seus 308 números (fora edições especiais e livros de bolso).

– Já estou na minha quarta editora – contabiliza o cartunista, responsável por editar o material de artistas brasileiros (que preenche cerca de um terço das páginas da nova versão).

Escoladíssimo no mercado editorial, avalia com realismo o relançamento da MAD:

– Acho que o preço (R$ 5,90) ainda é meio alto para os garotos. Mas o tempo em que a revista ficou fora das bancas foi benéfico. As pessoas sentiram nossa falta. Só na semana de lançamento recebi mais de mil mensagens.

A facção brasileira dos artistas da publicação corrobora a impressão. O cartunista Pupuca, integrante do time nacional desde 1990, diz:

– Estamos sozinhos no mercado de humor, que praticamente não existe desde os anos 80. Os fãs mais malucos sempre continuam pedindo para a revista não acabar.

Espalhados pelo Brasil, os "malucos" têm uma relação de amor e ódio com a MAD. Mas não desistem.

– Comprei a minha hoje, não agüentei esperar chegar nos sebos – esculacha Alex Machado Farias, de Londrina (PR), um dos 6.856 membros da comunidade oficial da revista no Orkut.

Al Jaffee, 87, ainda é uma marca registrada.

Neil Genzlinger

The New York Times

Al Jaffee pode reclamar para si o título de adolescente mais velho do mundo – ele ainda está desenhando, desde 1964, cada edição da Dobradinha MAD (isso inclui a nova versão brasileira da revista). A tradicional penúltima página da revista, na qual um desenho deve ser dobrado em três partes, formando uma outra figura completamente diferente, é um clássico. Ele é o mais longevo e cultuado colaborador da MAD.

Este ano, Jaffee está na lista dos três indicados ao Reuben Award, como cartunista do ano, a ser entregue em maio pela National Cartoonist Society (Sociedade Nacional de Cartunistas). As editoras Fantagraphics e Abrams Image estão prestes a recuperar alguns dos primeiros trabalhos do desenhistas, em edições de luxo que reeditam material feito entre 1957 e 1963. Nada mal para um cara que começou na MAD não como desenhista e sim como redator – e cuja maior criação, a Dobradinha MAD, foi feita para sair apenas uma vez.

– Há alguns meses contei todas as Dobradinhas que já fiz e deu algo como 396 – afirma Jaffee, que, ainda gozando de credibilidade entre os adolescentes, tem 87 anos.

Jaffee também é bem conhecido pela seção Respostas cretinas para perguntas imbecis, outra famosa atração que é basicamente um curso sobre como ofender as pessoas. Nada de insultos aqui, mas ironias rápidas.

– Trabalho para uma revista que é essencialmente dirigida a pessoas jovens, e, por tê-los me incentivando a continuar, me sinto com muita sorte – diz Jaffee. – Sou como um velho cavalo de corrida. Enquanto os outros cavalos estiverem correndo, quero correr também